Para Maílson da Nóbrega, todos os setores da economia devem crescer
O Brasil saiu bem da crise econômica mundial e deve crescer consideravelmente em 2010 como resultado de um trabalho realizado ao longo de vários governos, que tornaram o País estável, previsível e transparente na gestão de sua política econômica. A avaliação foi feita pelo ex-ministro da Fazenda, Maílson da Nóbrega (foto), durante a palestra "Perspectivas da Economia Brasileira", realizada na noite de ontem no auditório do Centro Industrial do Ceará (CIC).
Para o ex-ministro, outros fatores que contribuíram para que o Brasil não sofresse tanto com a crise foram a inflação baixa e sob controle, o nível de reservas internacionais superior à dívida externa e o fato de o Banco Central possuir autonomia para decidir. "Hoje, o Brasil é internacionalmente reconhecido como um País que se saiu bem dessa crise e deve crescer bastante este ano. Nossa previsão é de um crescimento robusto da ordem de mais de 5%, embora alguns já falem em 6% ou mais", afirma.
Para Nóbrega, o País sofreu com a alta inflação registrada no final do governo Sarney, quando ele era ministro. "Pagamos um preço alto por isso, conduzindo o Brasil a um processo de inflação praticamente sem controle, no final do governo Sarney, quando eu estava lá, onde ninguém podia fazer nada, pois era resultado de um complexo conjunto de causas de difícil solução. Hoje, ser politicamente esperto é adotar as medidas para manter a inflação sob controle, uma vez que os pobres brasileiros se convenceram que a inflação é ruim para eles", diz.
ELEIÇÕES
O ex-ministro avalia haver receios no mercado de que a eleição de Dilma ou Serra possa trazer de volta nível de intervenção estatal, risco de volta da inflação e ordem para o Banco Central fazer o que politicamente é considerado adequado, mas pondera que isso não deve ocorrer e, se ocorrer, recuará rapidamente. "Por conta das transformações pelas quais o Brasil passa, tanto do ponto de vista mental, quanto político e institucional, qualquer que seja o eleito, Serra ou Dilma, não haverá mudança na política econômica do País. Essa política econômica veio para ficar", explica.
Fonte: jornal O Estado - Economia
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