Com variação superior à média nacional (0,7%) e do Nordeste (0,1%), a produção industrial do Ceará avança pelo segundo mês consecutivo, mas continua com resultados negativos frente aos indicadores de 2008. Em março, a indústria cearense cresceu 1,5%, com ajuste sazonal, acumulando ganho de 2,4% entre o mês pesquisado e janeiro. Mas, no confronto com igual período de 2008, mostra recuo de 7,0%. No fechamento do primeiro trimestre, o comportamento é decrescente tanto frente a igual período do ano anterior (-7,5%) como em relação ao último trimestre de 2008 (-3,0%). A taxa anualizada, indicador acumulado nos últimos doze meses (-0,4%), segue em trajetória descendente desde setembro de 2008 (3,8%). Os dados são da Pesquisa Industrial Mensal (PIM), divulgada ontem pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
Para Pedro Jorge Ramos, coordenador de Economia e Estatísticas do Indi (Instituto de Desenvolvimento Industrial), da Federação das Indústrias do Ceará (Fiec), ´já começou a recuperação da indústria. O resultado do IBGE casa com os indicadores do Indi, que registram aumento da capacidade instalada´. ´As características do parque fabril cearense são inelásticas em relação à renda. O que é fabricado é consumido no mercado interno, o que garantiu essa tendência de recuperação mais cedo´, explica.
Mesmo com resultados positivos em fevereiro e março, o setor fabril cearense completa uma seqüência de cinco meses de taxas negativas, frente a março de 2008. Nesta comparação, sete dos dez segmentos pesquisados apontaram redução na produção, com o principal impacto vindo de alimentos e bebidas (-12,9%). Puxaram também a taxa para baixo os produtos químicos (-18,8%), a metalurgia básica (-55,5%) e o têxtil (-4,9%), por conta, respectivamente, de recuos nos itens vacinas veterinárias; vergalhões e barras de aços ao carbono; e em tecidos de malha e de algodão.
Por outro lado, a maior pressão positiva veio de refino de petróleo e da produção de álcool (40,8%), impulsionado sobretudo pelo avanço na produção de 80% dos produtos investigados no setor, com destaque para o óleo diesel e gasolina.
No acumulado janeiro-março, a indústria cearense também registrou queda (7,5%). Novamente alimentos e bebidas (-13,6%) assinalou a contribuição negativa mais relevante, vindo a seguir calçados e artigos de couro (-10,6%), metalurgia básica (-55,2%) e máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-27,3%).
Nordeste
Em março, a atividade industrial no Nordeste apresentou variação de 0,1% em relação a fevereiro, na série livre dos efeitos sazonais, terceira taxa positiva consecutiva, acumulando neste período um ganho de 5,4%. Na comparação contra igual período do ano anterior observa-se recuo de 4,9%. Nos três primeiros meses de 2009 os resultados foram negativos tanto frente a igual período do ano anterior (-9,4%), quanto em relação ao último trimestre de 2008 (-2,1%). Nos últimos 12 meses a taxa da do Nordeste mostrou retração de 2,4%, mantendo também comportamento de queda observada desde o último mês de setembro. O recuo de 4,9% no indicador mensal é devido à queda em oito dos 11 segmentos pesquisados pelo IBGE. O principal impacto total na região nordestina veio de produtos químicos (-12,0%), seguido por metalurgia básica (-22,9%) e máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-40,8%).
CNI APONTA
Indústria dá sinais de melhora em março
Brasília. Os indicadores industriais no mês de março, divulgados ontem pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), mostram que a atividade fabril continuou se retraindo em relação ao mesmo período do ano passado, mas na comparação com fevereiro, já há sinais de melhora. As vendas reais, que são medidas pelo faturamento da indústria, apresentaram uma elevação de 2,9% em março, em termos dessazonalizados, ante fevereiro, enquanto na comparação com março de 2008 houve uma queda de 1,6%. No primeiro trimestre, o declínio acumulado foi de 7,6% em relação a igual intervalo do ano passado.
A utilização da capacidade instalada também registrou crescimento no terceiro mês do ano ante fevereiro, após cinco meses seguidos de queda na comparação com o mês anterior. O índice passou de 78,2% em fevereiro para 78,7% em março de 2009, também descontados os efeitos sazonais. Em março do ano passado, a capacidade instalada na indústria era de 83%.
Já as horas trabalhadas na produção recuaram pelo segundo mês consecutivo. A queda foi de 0,2% ante fevereiro e de 6,6% ante março de 2008. No acumulado do primeiro trimestre, o indicador diminuiu 7,4% em relação ao mesmo período de 2008. A indústria também fechou postos de trabalho em março pelo quinto mês seguido. O emprego industrial caiu 0,7% no terceiro mês do ano ante fevereiro e 2,5% na comparação com março do ano passado. No acumulado do primeiro trimestre, a queda foi de 1,4% em relação aos primeiros três meses de 2008. Já a massa salarial caiu 1,8% em março ante março de 2008.
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